sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Portugal voltou a arder - O pior fim de semana da minha vida

Quando há um mês, escrevi para o blogue um artigo sobre a tragédia de Pedrogão Grande, mal sabia que também iria passar por uma situação complicada com fogo.
Fui passar o fim-de-semana a Gouveia, à aldeia de Arcozelo. No domingo, deparei-me com uma situação dolorosa e de pânico. Portugal estava a arder e no local onde nós estávamos havia um grande incêndio. A aldeia onde estávamos teve de ser evacuada, mas nessa altura, nós já tínhamos partido de regresso.



Quando chegámos à Barragem da Aguiera, fomos apanhados por um grande fogo e fomos obrigados a parar, como tinham cortado a estrada nos dois sentidos, não conseguimos voltar para trás. Ficámos três horas e meia com medo, porque estávamos completamente rodeados por fogo. 

Enquanto lá estive, fiquei dentro do carro, com as outras crianças que iam connosco para não respirar o fumo. Entretanto os meus pais e os nossos amigos começaram a ajudar as pessoas e uma grávida veio ter com eles. Assim que souberam que estava grávida, colocaram-na também dentro do carro, pois aquele fumo poderia ser muito perigoso para o bebé. Para mim, até foi bom pois conversámos muito e fiquei mais distraída.

Entretanto lá fora, caíam fagulhas e cascas de eucalipto por todo o lado, com o risco de fazer novos incêndios. As pessoas que lá estavam iam apagando as fagulhas.
Ali morava uma senhora, a D. Fátima, que ofereceu a sua casa para as pessoas se protegerem e deixou que usassem a sua água e baldes, que também foram usados para apagar pequenos focos de incêndio. A sua ajuda foi preciosa.

Entretanto, acabou a água dos carros dos bombeiros e como estávamos cercados, eles não podiam ir reabastecer os tanques. Foi terrível.

Entretanto o fogo começou a afastar-se e pudemos avançar com a escolta da GNR. Enquanto avançávamos, vimos tudo ardido, ainda com pequenas chamas, fumo e fagulhas.

Depois disso, continuámos o nosso regresso a Lisboa, mas ao passar por Fátima, deparamo-nos com outro fogo a beira da estrada. O polícia estava a cortar a autoestrada, mas ainda nos deixou passar. Aqui, as chamas eram mesmo junto à autoestrada e as labaredas eram enormes. O calor entrava pelo carro e o ar queimava. Foi muito assustador.

 Ao chegar a casa à uma da manhã, estava cansada, devastava, cheia de fumo no nariz e a tremer.

Filipa Pires, 6ºE

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