Quando há um mês, escrevi para o blogue um artigo sobre a
tragédia de Pedrogão Grande, mal sabia que também iria passar por uma situação
complicada com fogo.
Fui passar o fim-de-semana a Gouveia, à aldeia de Arcozelo.
No domingo, deparei-me com uma situação dolorosa e de pânico. Portugal estava a
arder e no local onde nós estávamos havia um grande incêndio. A aldeia onde estávamos
teve de ser evacuada, mas nessa altura, nós já tínhamos partido de regresso.
Quando chegámos à Barragem da Aguiera, fomos apanhados por um
grande fogo e fomos obrigados a parar, como tinham cortado a estrada nos dois
sentidos, não conseguimos voltar para trás. Ficámos três horas e meia com medo,
porque estávamos completamente rodeados por fogo.
Enquanto lá estive, fiquei dentro do carro, com as outras
crianças que iam connosco para não respirar o fumo. Entretanto os meus pais e
os nossos amigos começaram a ajudar as pessoas e uma grávida veio ter com eles.
Assim que souberam que estava grávida, colocaram-na também dentro do carro,
pois aquele fumo poderia ser muito perigoso para o bebé. Para mim, até foi bom
pois conversámos muito e fiquei mais distraída.
Entretanto lá fora, caíam fagulhas e cascas de eucalipto por
todo o lado, com o risco de fazer novos incêndios. As pessoas que lá estavam
iam apagando as fagulhas.
Ali morava uma senhora, a D. Fátima, que ofereceu a sua casa
para as pessoas se protegerem e deixou que usassem a sua água e baldes, que
também foram usados para apagar pequenos focos de incêndio. A sua ajuda foi
preciosa.
Entretanto, acabou a água dos carros dos bombeiros e como
estávamos cercados, eles não podiam ir reabastecer os tanques. Foi terrível.
Entretanto o fogo começou a afastar-se e pudemos avançar com
a escolta da GNR. Enquanto avançávamos, vimos tudo ardido, ainda com pequenas
chamas, fumo e fagulhas.
Depois disso, continuámos o nosso regresso a Lisboa, mas ao
passar por Fátima, deparamo-nos com outro fogo a beira da estrada. O polícia
estava a cortar a autoestrada, mas ainda nos deixou passar. Aqui, as chamas
eram mesmo junto à autoestrada e as labaredas eram enormes. O calor entrava
pelo carro e o ar queimava. Foi muito assustador.
Ao chegar a casa à uma
da manhã, estava cansada, devastava, cheia de fumo no nariz e a tremer.
Filipa Pires, 6ºE

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